Depois silêncio.
Só no pico da noite é que paro para pensar, na verdade apenas paro e assim consequentemente penso, às vezes além de que devo, mas este não é o caso de hoje.
Hoje a noite está diferente, sabe a sensação de quando você dorme no meio da tarde e acorda no mesmo dia achando que é outro? Esse é o gostinho desta noite, um gostinho que me parece de lucidez, uma rara e engraçada lucidez. Não sinto dor, raiva ou qualquer outro sentimento, estou tão neutra e surpreendentemente isso não me incomoda, é até bom.
A lua de ontem me causou tanta ilusão que hoje preferi não a olhar, evitar e ignorar. E ela fez o mesmo comigo, não nos cumprimentamos e foi isso.
Pouco antes eu sentia um gosto amargo que vinha de dentro de mim, “nada dá certo, nada dá certo” eu repetia. Como se isso fosse solução, não é. Aprenda menina se queixar só resolvia quando você era rodeada apenas por aqueles que te amam, agora já não é mais assim, tanta gente ai que não está nem ai, tanta gente ai e você não tem com quem dizer tanto por não querer como porque não resolveria e é só nisso que se pensa. Uma solução rápida para viagem, obrigado. E tão tolos esquecemos que o que vem rápido vai rápido, toma como exemplo a vida sempre no caminho mais rápido, mas agora me diz e esse caminho te levar para o fim?
Me perdi pelas palavras, não nos pensamentos, no momento nem penso mais e é engraçado ver como agora que minhas barreiras abaixaram percebo como estive errada. Juro, você está certo seria mesmo melhor viver dessa maneira. Ai de mim se vivesse com essa clareza que estou agora, não consigo mentir para mim mesmo e isso já é abuso. Talvez eu tenha me perdido de mim e não me precise mais, calma, cedo ou tarde volto é sempre assim.
Há quanto tempo não lhe escrevo não é querido? Senti tua falta, mas estava ocupada demais com a confusão de outros e com minha própria certeza.
Sim, já sei que com você posso desenrolar, mas é que naquele momento eu estava certa do que queria ou apenas achava que estava. É difícil sabe? Todos sabem, afinal vivemos sobre a mesma lua.
Já pensou se todos fossem cegos? Ou então apenas não enxergássemos a aparência do outro e ao invés disso enxergássemos nosso interior? Assim quando alguém jugasse a aparecia de alguém mal saberia que estaria jugando a si mesmo. Ah sim tinha me esquecido que as coisas já são assim. É duro perceber que é verdade não é? Eu mesma julgo muito, julgo tudo. Já quis milhares de vezes não o fazer, mas eu respiro e sou racional e simplesmente isso já é o bastante para ser podre. Se você pode, mas não raciocina você é podre, aceite todos nós somos. A única inocência é não pensar já disse alguém, e não venha me dizer que pensar e raciocinar são a mesma coisa, pois eu sei que você sabe que não é. Às vezes pensamos algo meio que “sem querer” , pensamentos são como as aguas de um poço que acaba de ser furado e o raciocínio é o filtro ali se formam os grandes abismos entre certo, errado e “foda-se eu vou fazer mesmo assim”. Este ultimo geralmente é associado à auto mentira e é tão perigoso...
Ah a mentira. A mentira é como um castelo de cartas quando começado não pode ser interrompido ou cai, na realidade sempre cai, o que você tem que fazer é rezar para que caia apenas encima da mesa, pois se cair no carpete vizinho bem... Será difícil explicar sem contar outra mentira e assim o circulo vicioso se recomeçar. Meu castelo está bambo no momento e eu estou rezando para que caia dentro de mim e ninguém perceba.
Eu já estou voltando, já estou nos meus pés a lucidez vai acabar talvez até o sono eu perca o sono que na verdade pertence a lucidez. Se eu chegar animada vou jogar cartas, quantas cartas será que tenho aqui?
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terça-feira, 22 de março de 2011 @ 18:54
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