A hora do mergulho
Foi exatamente neste ano que percebi em meio aos meus estudos para o exame nacional do ensino médio, o popular ENEM, em que descobri que eu não sabia nada ou tudo que eu sabia me escapou por entre os dedos dedos e se perdeu. Onze anos de estudos e branco total, como assim? Logo eu uma das alunas que nunca ficou abaixo da média e que como minha mãe sempre dizia "devia ser um exemplo", agora não sabia nada. Bem, era isso que me passava pela cabeça e então um pensamento pior veio: não vou passar no vestibular. E outro que já me atormentava a um bom tempo voltou: eu não sei que profissão quero seguir! Pronto, a loucura estava completa.
Me vi sem certeza alguma, apenas dúvidas me senti como areia suja numa peneira a parte limpa e que servia para algo escapou e ficou apenas a sujeira, a ignorante e inútil sujeira. Eu era a sujeira.
O que pensei saber fazer, não tinha mais certeza se realmente sabia. Sempre soube que existem pessoas melhores de que eu, nunca me conformei com isso então me acostumei a pensar que na escrita não existe melhor ou pior, cada um tem sua própria maneira de se expressar e a minha foge de regras comuns, não possuo uma regra apenas escrevo oque sinto, oque enxergo e do jeito que me convém! Então chegaram e disseram "ou você escreve dentro das normas ou sua redação sera anulada!"
O QUE? tive vontade de rir na cara deles e dizer ''não vocês não tem o direito de medir meu conhecimento com uma simples prova!" mas não pude, porque? Por que ele tem sim o direito e além do mais são cruéis pois não medem apenas seu conhecimento mas também sua resistência e rapidez ao mesmo tempo, me senti um novo projeto de ferramenta para a sociedade sendo testado, um teste ao qual todos somos submetidos por bem ou mau, se quiser pertencer a um futuro, se falhar sera enxotado do sistema e consequentemente a vergonha de seu país.
Lá estava Barbara Tomazeli Souza Rossi completamente confusa e com a auto estima a baixo de zero. Então, o que se faz quando não se sabe o que fazer? Resolvi optar pela resposta mais obvia possível, estudar.
Estudei, pesquisei, respondi exercícios, li, tirei dúvidas com professores, procurei a maneira mais fácil de aprender, estudei em dois horários e então a prova de fogo chegou e eu continuava incerta sobre meu conhecimento.
Trinta páginas, noventa quentões, uma cadeira dura, várias pessoas desconhecidas, um relógio irritante e muita pressão.
Sobrevivi ao primeiro dia mas ainda haveria um segundo dia, disse que não queria mais "ah, isso é só o começo" respondeu minha mãe tentando me animar como sempre.
No segundo dia de prova tudo de novo só que dessa vez uma hora e meia a mais de tortura agoniante.
Acabaram as provas! Missão cumprida e comprida também.
Dias depois saiu o gabarito da prova (graças a algum milagre, sem nenhum furo na prova sendo assim sem cancelamentos) corrigi a minha e...desastre! Acertei apenas 85 questões nem cinquenta por cento da prova de cento e oitenta questões, entrei em depressão estudantil profunda, tentaram me animar dizendo que "teve muita gente do terceiro ano que acertou muito menos de que você" mas não adiantou, penso que alguém ser pior de que eu não me torna boa é um pensamento torturante mas acredito que seja melhor de que se conformar dizendo "ah, tudo bem" e continuar olhando para o mesmo lado sem ao menos tentar melhorar.
O exame me mostrou que muita coisa acontece todos os dias no mundo e mesmo que pareça impossível é importante procurar saber um pouco de tudo pois nunca se sabe quando isso nos sera cobrado.
(Texto feito numa tarefa escolar com o tema "meu aprendizado no ano de 2011")
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quarta-feira, 14 de dezembro de 2011 @ 13:31
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